quinta-feira, 14 de julho de 2011

Hoje ela acordou decidida, declarando pro humilde reflexo que via no espelho: “Nunca mais vou me apaixonar!”. Hoje, assim como ontem, e, também, nos dias anteriores, e essa era a sua expressão rotineira desde quando ela se entendeu na vida como mulher dotada de sentimentos. Mulher não. Garota. Não importava o que ela aparentasse pro mundo, em algum lugar, no fundo daquela carapuça formosa que havia se tornado, ainda permanecia escondida a menininha que havia aprendido a correr rápido, juntamente com as outras, dos garotos com quem brincava na rua. Sempre assim, garotas contra garotos. Será que ela já havia se livrado totalmente dessa boba adversidade entre os sexos adquirida com a infância ou ela realmente havia aprendido a correr e ainda mais rápido, com o passar do tempo, fazendo da vida essa corrida constante? Ela dizia que era pro melhor. Esquivar-se, renegar os próprios sentimentos e ignorar as repetitivas chamadas dele eram as melhores formas de conseguir aliviar aquela dor. Pelo menos, era o que lhe haviam aconselhado.
Ela anda pela rua evitando os olhares, afinal o último olhar que a encarou havia roubado a luz de seus olhos e a cor dos seus dias. Em cada homem que se aproxima, sua mente procura involuntariamente resquícios do último amor. Mas não é verdade? O cabelo deste moço é tão bagunçado e ondulado quanto o dele, o cheiro daquele transeunte é de tirar o fôlego da mesma forma como ele costumava passar por ela e perguntar como tinha sido o seu dia. Mal sabia ele que aquele momento seria o resumo do dia dela e que, para aqueles segundos, ela iria ficar voltando a fita na cabeça, quando fosse pensar nele durante a noite antes de dormir. Ou ele sabia? Ela se questionava. Aliás, tinha como não saber? Ainda não parecia estar óbvio? Ela corre. Jurou tê-lo visto atravessar a rua paralela. “Espera”, o próprio coração pergunta: “O que você disse mesmo, pela manhã?”. Ela recua e volta pra casa, prometendo não falhar no dia seguinte. Sim, ela prometia. Sabia que era em vão, mas ainda assim prometia.

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